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Por Ana Paula Kwitko
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domingo, 6 de março de 2016

Preconceito, de Rodolfo Pamplona Filho


Sou baiano, negro, pobre e gay...
Sou cigano feio, baixo e chinês... 
Nordestino ou argentino 
Mendigo ou indigente 
Idoso ou menor carente
Deficiente ou impotente
Crente ou ateu
Árabe ou judeu
Umbandista ou adventista
Testemunha ou kardecista
Migrante ou imigrante
Presidiário ou proletário 
Refugiado ou desabrigado
Bêbado ou drogado
Condenado ou desempregado
Sou muito mais que tudo isso...
Se, não na carne, no espírito
de solidariedade com aquele
que sofre, chora e morre
não pelo que faz ou fez,
mas pelo sentimento incontrolável
de quem não compreende...
Nem faz qualquer esforço para isso...
É preciso sentir na pele,
por vezes, literalmente,
para dimensionar a loucura
de julgar o outro
sem um dado objetivo
que justifique esta postura.
Não é fácil matar
Um leão por dia
E ser excluído pelo
Grau de melanina
Ou por quem você suspira
Ou pela sua conta bancária
Ou pela sua luta diária
Ou de onde vai ou vem
Ou de quem você crê no além...
Esqueça-me por um dia
ou - melhor! - definitivamente,
pois o meu maior defeito
é parecer diferente
aos olhos de quem esqueceu
qual é o sentido de ser gente...


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Bilhete de Mário Quintana



"Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda..."



domingo, 26 de maio de 2013

terça-feira, 30 de abril de 2013




"Felizes os cães, que pelo faro descobrem os amigos."  
Machado de Assis

quinta-feira, 11 de abril de 2013

"Perdas Necessarias"



 "É a imagem na mente que nos une aos tesouros perdidos, mas é a perda que dá forma à imagem"


Do livro "Perdas necessárias" de Judith Viorst  



Imagem:  Toscana, Itália

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013


"Eu nunca fui uma moça bem-comportada.Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços.
Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo. Não estou aqui pra que gostem de mim. Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho. E pra seduzir somente o que me acrescenta. Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra.
A palavra é meu inferno e minha paz. Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar...

Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente.

Acredito em coisas sinceramente compartilhadas.
Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo. Eu acredito em profundidades.E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos.São eles que me dão a dimensão do que sou."

(Maria de Queiroz)


Imagem: Lua cheia no meu jardim.


domingo, 18 de novembro de 2012

"Amar é morrer de medo que o outro deixe de nos amar de repente, e ressuscitar discretamente, sem que ninguém saiba do nosso desespero."

Fabrício Carpinejar





sexta-feira, 16 de novembro de 2012

"Toda forma de ver es una forma de ocultar".










Imagem: Rita, nossa cachorrinha, escondida entre bichos de pelúcia.

domingo, 4 de novembro de 2012

"Lo que creemos nuestro amor, nuestros celos, no son una pasión continua, indivisible. Se componen de una infinidad de amores sucesivos, de celos diferentes que además son efímeros,  pero por su multitud ininterrumpida dan la impresión de la continuidad, la ilusión de la unidad"

Marcel Proust, Un amor de Swann

sexta-feira, 26 de outubro de 2012



"Los viejos sueños eran buenos sueños, no se han cumplido pero me alegro de haberlos tenido. "





Imagem: Praia Guarda do Embaú, Santa Catarina/Brasil. 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

"Não ponhas trilha no celular, não troques as almofadas, não escolhas as toalhas e os lençóis, controla essa mania de se espalhar por tudo, de botar teu cheiro por dentro de minha boca. Não abras mais o leite sem romper o lacre, não deixes a gaveta entreaberta, a torneira entreaberta, meu corpo entreaberto. Não reclames do que não fiz, que farei de novo para chamar tua atenção. (…) Quero te conhecer menos para não sofrer depois tanto tua perda. Mas deveria ter dito isso antes."

 Fabricio Carpinejar
 

terça-feira, 31 de julho de 2012

"A ignorância é vizinha da maldade"












Imagens: Rita y LLamp, por Anna Begins

sexta-feira, 27 de julho de 2012


"Demorou muito, mas enfim , compreendi que a vida não é uma sonata, que para ralizar a sua beleza, tem que ser tocada até o final.Dei-me conta, ao contrário, de que ela é sim, um álbum de mini-sonatas onde cada momento de felicidade vivida por muito curta que seja, já é uma experiência completa, destinada a sempre ficar em nossa memória.
Um só momento de felicidade e amor justifica a vida."


Mário Quintana

quinta-feira, 19 de abril de 2012


"Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende. Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir."

Cora Coralina

Imagem: Camiño del Bosque Bellaterra

sábado, 24 de março de 2012


"A ciência produz conhecimento, a interpretação produz saber.
A realidade, qualquer realidade, desde a física à social ou estética, está composta por uma combinação de conhecimento e saber"

J.M. Català


Imagem: Hieronymus Bosch (1450-1516), Os sete pecados capitais, Museu do Prado, Madrid.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

COMO EU VEJO A MODA - Fabrício Carpinejar

"Moda é opinião. Piso na rua e já estou participando de uma enquete.
Moda é romance. Ajudar uma mulher a se despir é interesse, ajudá-la a se arrumar é cavalheirismo.
Moda é pensar. Toda roupa é um diário: o que imaginamos na hora de comprar, por que compramos, quando se usou pela primeira vez, o que significa emocionalmente, o que ela ofereceu para nossa companhia.
Toda roupa é um confidente: conversamos com os botões, guardamos as mãos nos bolsos, sofremos com as manchas.
Toda roupa é a possibilidade de nascer de novo.
Os tecidos são lembranças daquilo que imaginamos."


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Casa Arrumada - Carlos Drummond de Andrade


Cá estou eu de volta para minha casa, após dias de férias, louca para reunir os amigos em torno da mesa. E o poema do Drummond é o que hoje melhor define e inspira meu conceito de lar perfeito.

"Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar"

domingo, 26 de junho de 2011

VINHO E POESIA - Briga no beco

Ontem o vinho foi o honesto chileno Santa Helena, Cabernet Sauvignon, e a poesia ficou por conta da incrível Adélia Prado. Diz a história que a poetisa encontrou o marido com uma loira falsa (incrível certas coisas!) o que resultou no delicioso "Briga no Beco" que dedico aqui para meu amigo querido e amado Zé que encantou minha noite com tanta doçura e sensibilidade. Realmente Zé, não há nada mais poético do que um amor em fúria ...

Briga no beco

Encontrei meu marido às três horas da tarde
com uma loura oxidada.
Tomavam guaraná e riam, os desavergonhados.
Ataquei-os por trás com mãos e palavras
que nunca suspeitei conhecer.
Voaram três dentes e gritei, esmurrei-os e gritei,
gritei meu urro, a torrente de impropérios.
Ajuntou gente, escureceu o sol,
a poeira adensou como cortina.
Ele me pegava nos braços, nas pernas, na cintura,
sem me reter, peixe-piranha, bicho pior, fêmea-ofendida,
uivava.
Gritei, gritei, gritei, até a cratera exaurir-se.
Quando não pude mais fiquei rígida,
as mãos na garganta dele, nós dois petrificados,
eu sem tocar o chão. Quando abri os olhos,
as mulheres abriam alas, me tocando, me pedindo graças.
Desde então faço milagres.
Adélia Prado



segunda-feira, 18 de abril de 2011

"Convém não facilitar com os bons, convém não provocar os puros. Há no ser humano, e ainda nos melhores, uma série de ferocidades adormecidas. O importante é não acordá-las". Nelson Rodrigues