Há 34 anos o Rei absoluto do rock, Elvis Presley, saiu de cena deixando milhares de súditos desolados pelo mundo todo. Era um capricorniano típico que subia as mais altas e vertiginosas montanhas da vida com destemida habilidade. Fez escola no reinado musical e imprimiu um estilo de representar que só os soberanos são capazes. Tinha o gênero canastrão-debochado, era sedutor, romântico, rebelde. Tudo num só. Incorporava seu personagem travestido de figurinos (assinados pelo tarimbado estilista Bill Belew) abusadamente exuberantes. Ele sabia quanto suas roupas falavam e tocavam o público. O fato de articular um figurino mais sensual e abusar de modelos extravagantes foi, em seu caso, não um fator condicionado, mas sim voluntário, para acomodar sua própria emoção sentimentalizada, que correspondia muito bem ao personagem que quis desempenhar. Revendo sua maravilhosa interpretação de “Suspicious minds”, em que usa aquele macacão branco, que ele mesmo batizou de "jumpsuit", emoldurado de tachas e cinto de franjas, entendi quanto o figurino pode de fato agir como fundamentador de uma subjetividade materializada nele mesmo, em sua capacidade de expressão. Elvis sabia da existência de um imaginário em paralelo ao universo fantástico que vivia, e sabia que seu figurino estava carregado de emoções e representações que se correspondiam e articulavam a possibilidade de espetáculo, dando o tom e a forma que ele pretendia. Como toda majestade, desvelou a realidade que não era apenas para ser vista, mas para ser sentida através da sua representação. Talvez por isso também Elvis não morreu.
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quinta-feira, 4 de agosto de 2011
A roupa do Rei
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
As horas de Marlon Brando
O figurino de um filme é de fundamental importância e reúne elementos essenciais para o êxito da narrativa. Além das roupas, acessórios como brincos, chapéus, bolsas e sapatos também fazem parte do figurino e estão presentes para reforçar a mensagem sugerida na obra. O estudo da história da indumentária demonstra a forte simbologia destes acessórios, com significados sociais que vão desde a distinção de classes à representação da sexualidade. Justamente desta rede simbólica que se vale um figurinista, pois seu trabalho é um mecanismo, uma técnica que se transforma em elementos de identificação de fundamental importância para o todo. Talvez por isso, qualquer erro, ainda que mínimo, pode ser fatal e destruir a chamada "suspensão da realidade" tão necessária para a sétima arte. E foi exatamente isto que aconteceu na adaptação da peça de Shakespeare, no histórico "Julio Cesar" (1953), do genial Mankiewicz, em que Marco Antônio, interpretado por Marlon Brando, foi ao funeral de César usando um relógio de pulso (!!!!). Erro imperdoável que passou batido aos olhos de toda equipe, inclusive do ator e que custou caro para a produção que precisou refilmar horas de trabalho perdido. É, parece que naquela ocasião Marlon Brando, com seu estupendo talento, esqueceu do mundo e, sobretudo, das horas.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
O preço de um mítico esvoaçante
Ao longo das últimas décadas na história do cinema, um dos figurinos mais vistos e, possivelmente também, um dos mais reproduzidos, foi o que a Marilyn Monroe vestiu no filme "O pecado mora ao lado", de Billy Wilder. A famosa cena em que a personagem se diverte com a ventilação do metrô enquanto o seu vestido plissado na cor nude (como diriam os descolados) se esvoaça maravilhosamente sensual, ficou eternizada no imaginário de qualquer pessoa, ainda que não tenha visto o filme. Não lembro de um único carnaval sem que esta fantasia esteja estampada em alguma fotografia de jornal, ou revista. O modelo foi criado pelo estilista americano e queridinho da musa, Billy Travilla, que ainda assinou os não menos famosos vestidos rosa e o ousadíssimo dourado com decote até o umbigo ambos usados em Os homens preferem as loiras. Pois acredita que no último final de semana o dito figurino foi leiloado nos EUA pela atriz Debbie Reynolds, que ainda lucrou com a venda de mais 3.500 figurinos, entre estes, o chapéu que Chaplin usou em O vagabundo? Diz que a Debbie quis fazer um museu com a coleção que tinha, mas ninguém lhe deu muita trela na época, então ela teve a brilhante (e milionária) ideia de faturar com o acervo tão famoso.
O mítico esvoaçante, por exemplo, saiu por nada menos que 10 milhões de reais enquanto o chapéu côco custou mais 'baratinho', algo em torno de 130 mil reais (!!!).
Que me diz dos preços destas roupas que Hollywood ajuda a costurar, hein?!
sexta-feira, 14 de maio de 2010
A Fala de feras e palhaços

No jornal de hoje, vi que o 1° Ministro do Japão está dando o que falar, mas não é apenas por seu governo engessado. Hatoyama tem gosto duvidoso e está chamando a atenção por seu guarda-roupa nada convencional.
Segundo os jornais, o político inclusive já perdeu 9% de aceitabilidade da população justamente por se vestir com tanta excentricidade. Pode????
Claro que pode, a roupa revela nosso interior, ora!!!! É nossa segunda pele e nos "representa" diante do social. Costumo dizer que a vestimenta é a legenda que narra nosso interior.
Não dá para se vestir assim como o ministro japonês, feito palhaço, impunimente...
Virando as páginas do jornal, vejo a foto da Eliana Tranchesi, aquela sonegadora de impostos de grife, lembra? A bandida da Daslu.
Pois é, esta fulana sorria descaradamente com seu casaco longo TO-DO tigrado para o fotógrafo .
Além de imaginar como fica uma loira gordota num casaco destes, alguém sabe dizer que legenda esta senhora traz?
No mínimo, além do ataque de mau gosto, quando vestiu aquele horror, penso que ela queria dizer; "Eu sou fera, neném".
Numa concepção semiológica, podemos dizer, entre tantas outras coisas, que as vestimentas são como a Fala de uma pessoa.
Sendo assim, e com todo este barulho em torno das roupas do ministro, só posso corroborar a ideia de que temos que ter mais cuidado com o que falamos...
A propósito, já sabe o que falar hoje?
quinta-feira, 25 de março de 2010
Um figurino para ser julgado

Honestamente não quero dar voz à loucura midiática do "Caso Isabella Nardoni", mas hoje, ao ler a Folha de SP, uma pequena nota na página C4 chamou minha atenção e se impôs a repulsa que sinto por este espetaculoso caso. Depois de o jornal discorrer exaustivamente sobre as inúmeras possibilidades do julgamento, comenta sobre “As estratégias de imagem” que os consultores do casal acusado indicam para a ocasião. Falam em Óculos para Alexandre, pois “atenua a força física e passa cultura e intelectualidade”, cabelos presos para a Jatobá, pois “mostra resguardo e respeito”, roupas claras para o casal para "atenuar a imagem".
A questão que se coloca aqui não é, em absoluto, o julgamento, o fato em si, mas a importância do vestuário em toda e qualquer situação, inclusive nas mórbidas.
Pensando no “Show” que se montou em torno do caso “Isabella Nardoni”, nada mais adequado do que pensar num “figurino” assertivo para responder à demanda desta trama cruel e sádica que nós assistimos na paz dos nossos sofás.
Falando nisso, preciso mudar de roupa, pois tenho uma banca de mestrado para assistir agora. Vou tirar meus confortáveis chinelos e roupão, e colocar aquele vestido preto que me confere "sobriedade e capricho" rárárá...
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